sábado, janeiro 29, 2011

Descobrindo a Bélgica

Primeiro, não existe um idioma belga. As pessoas falam dois idiomas: na metade norte do país, o holandês (mais puro que o da Holanda, sem misturas com o inglês); e na metade sul, o francês. A explicação está em que o país abriga duas comunidades de origens diferentes, a flamenga (ao norte) e a vala (ao sul).

Segundo, a Bélgica é reconhecida como sendo o verdadeiro país das batatinhas fritas (e não a Holanda, nem a França). Também é o país da cerveja (dizem haver um tipo diferente para cada dia do ano), como também do chocolate (mais forte e amargo do que o suíço).

A Bélgica é um país que parece ser formado por uma mistura de outros países e culturas, principalmente da Holanda, França e Alemanha. Em área, é um pouco menor do que a Holanda; é também menos populoso, tendo em torno de 10 milhões de habitantes, enquanto que a Holanda tem 16. A arquitetura belga recebeu muita influência da Holanda, mas é mais diversificada. Os prédios antigos são estreitos e retangulares, com grandes janelas, como na Holanda. Tem, também, muitas igrejas e prédios, muitos deles públicos, em estilo romano e gótico. Encontram-se, ainda, alguns prédios em estilo clássico, com grande colunas, como a Bolsa de Valores de Bruxelas.

No período entre os séculos XVI e XVIII, a Bélgica pertenceu ao Império Espanhol. Em 1815, o país foi anexado à Holanda; 16 anos depois, em 1831, tornou-se independente. Atualmente, Bélgica, Holanda e Luxemburgo formam o Benelux, que constitui uma região sem barreiras alfandegárias.

Uma estranha peculiaridade do povo belga é a diferença entre a cultura do norte e do sul do país. A proximidade com outros países, assim como o clima e a trajetória histórica, influenciaram de forma diferente cada região (como também acontece e pode ser percebido no Brasil, com suas diferentes regiões e sub-regiões). Na metade norte da Bélgica, mais próxima da Holanda, a maioria das pessoas fala inglês, além de holandês e francês. Já na metade sul, mais próxima da França, eles gostam mesmo é do francês e não se interessam muito por outros idiomas, inclusive o holandês e inglês.

Nas escolas belgas, é obrigatório o ensino dos dois idiomas mais falados, francês e holandês, além de um terceiro, que pode ser inglês ou alemão. Percebe-se, assim, que os belgas constituem um povo bastante aberto ao mundo, e culto.

Mas nem todos são bilíngües. Há cerca de um ano atrás, aconteceu um acidente de trens porque os motoristas não conseguiram se comunicar pelos fones. Um deles falava somente holandês, e o outro, francês; não se entenderam e o resultado foi que os trens acabaram se chocando de frente, e sete pessoas foram mortas, além de muitos outros prejuízos.

Bruxelas

Bruxelas é a capital da Bélgica; é também a cidade mais populosa do país; tem ares de cosmopolita, com muitos empreendimentos e prédios modernos. Há alguns anos, refletindo a predisposição do povo belga para a mudança, arrojo e abertura para a Europa e o mundo, Bruxelas assumiu o papel de Centro da União Européia.

Mesmo sendo uma cidade grande, Bruxelas carrega muito da história do país e da Europa nos seus prédios antigos, ainda que alguns estejam mal conservados. O melhor da sua arquitetura está no centro da cidade.

A Grandplace, ponto famoso da cidade, é uma espécie de praça circundada por prédios antigos, em estilo barroco. No século XII, era o centro político e econômico da cidade. Em 1695, a praça foi destruída e levou 4 anos para ser reconstruída, ficando novamente pronta em 1700. Hoje, alguns prédios servem de sedes do governo, de museus, hotéis e lojas. Realmente, a praça é surpreendente; e os prédios, maravilhosos. De noite, a praça ganha um clima muito especial com a iluminação dos prédios e o show de luzes. Também é comum ocorrerem apresentações culturais e shows de música, como pode ser visto por imagens seguintes. Durante a noite, o centro de Bruxelas é muito movimentado, com muitos turistas circulando. Existem variados bares, restaurantes, pubs e discotecas, para todos os gostos .

Uma curiosidade em Bruxelas é o Manneken Pis Fountain, que é uma pequena estátua de bronze com um menininho urinando, que data de 1619. Existem várias lendas a respeito da estátua, que até já virou ponto turístico importante. De qualquer forma, me lembrei de um boneco que existia no Brasil quando eu era criança, chamado Manequinho. Agora descobri o porquê do nome.

Outra beleza de Bruxelas é a Cathedrale Saint-Michel; foi iniciada em 1220, em estilo gótico. Os vitrais, do século XVI, são lindos. Para quem gosta de museus, no Parque do Cinqüentenário existe um museu sobre a história militar do país, outro museu sobre a história da arte belga, e mais outro de automóveis.

Bruges

Esta cidade é famosa na Europa, em função de possuir um ar medieval. Todas as casas são em estilo europeu, assim como as “places”, comuns em toda Bélgica. As "places" são espécies de praças, mas sem jardins ou bancos, com prédios importantes em toda volta. São belíssimos os prédios da prefeitura, que data de 1420; e da St,Saviour’s Cathedral, do século XII. Bruges é circundada por um canal que servia de proteção à cidade (na época, também chamada de "burgo") durante a Idade Média. No canal, na entrada para a cidade, ainda existem pórticos e moinhos bem antigos.

Bruges é uma cidade muito antiga, que data do século IX. Ela se tornou um dos centros comerciais da Europa a partir do século XI, graças ao seu acesso direto para o mar. Era famosa pela sua produção de tecidos, que eram exportados para toda Europa. Também foi abrigo do primeiro prédio para intercambiar mercadorias e dinheiro no mundo, na casa da família Van der Beurse, que constituía um clã na área mercantil. O nome Beurse deu origem a palavra "beurs", que em holandês significa comércio internacional e que foi incorporada por diferentes idiomas do mundo.

No século XV, as artes e atividades bancárias floresceram enormemente em Bruges, a partir da vinda dos Duques de Borgonha. A cidade virou morada para pintores famosos e nessa época foram construídas algumas de suas atrações, como o prédio da prefeitura, a Igreja Old Lady, o mausoléu de Maria de Borgonha, além de igrejas e prédios comerciais.

Com o passar do tempo e com os “vai-e-vens” da política, Bruges foi perdendo seu poder comercial. Enquanto isso, Antwerp (Antuérpia), cidade belga mais ao norte, que hoje é o segundo maior porto da Europa, vindo depois do de Rotterdam, foi ganhando ascendência como entreposto comercial. A perda foi tanta que, durante o século XIX, Bruges se tornou uma cidade pobre e atrasada; começou, então, a assumir outro papel, pela valorização da sua história, monumentos e cultura. Hoje, Bruges é conhecida em todo o mundo como um dos pólos turísticos da Europa. No corrente ano, a cidade constitui a capital da cultura européia e sede de muitas atrações.

Gent

Nesta cidade, situa-se uma da principais universidades da Bélgica. É menos turística, mas também possui excepcionais pontos turísticos de valor; pessoalmente, acho que não perde em nada para Bruges. Igrejas, "places", canais, antigas casas da época medieval e até um castelo, chamado Het Gravensteen (The Castle of Counts!), que foi construído por Philip, da Alsácia, em 1180. Situa-se no centro da cidade, e é possível visitar seu interior (estudantes têm desconto), conhecer seus cômodos, celeiros e fortes. É muito legal. Dentro do castelo, existe uma exposição de armas medievais, com armaduras, espadas (gigantes!) e espingardas. É incrível como eles eram caprichosos, as armas eram repletas de detalhes. Também existe uma exposição da tortura, onde se pode conhecer os objetos que eles usavam para torturar os criminosos e prisioneiros. A catedral Sint Baafskathedraal vale a pena ser visitada. Além de muito bonita por fora, contendo uma mistura de estilo gótico com romanesco, o seu interior é repleto de pinturas e peças antigas. O orgão de música data de 1653; e o púlpito, de 1741.

sexta-feira, janeiro 28, 2011

BIG BROTHER BRASIL

BIG BROTHER BRASIL
(Luiz Fernando Veríssimo)

Que me perdoem os ávidos telespectadores do Big Brother Brasil (BBB), produzido e organizado pela nossa distinta Rede Globo, mas conseguimos chegar ao fundo do poço...A décima primeira (está indo longe!) edição do BBB é uma síntese do que há de pior na TV brasileira. Chega a ser difícil,... encontrar as palavras adequadas para qualificar tamanho atentado à nossa modesta inteligência.

Dizem que em Roma, um dos maiores impérios que o mundo conheceu, teve seu fim marcado pela depravação dos valores morais do seu povo, principalmente pela banalização do sexo. O BBB é a pura e suprema banalização do sexo. Impossível assistir, ver este programa ao lado dos filhos. Gays, lésbicas, heteros... todos, na mesma casa, a casa dos “heróis”, como são chamados por Pedro Bial. Não tenho nada contra gays, acho que cada um faz da vida o que quer, mas sou contra safadeza ao vivo na TV, seja entre homossexuais ou heterosexuais. O BBB é a realidade em busca do IBOPE...

Veja como Pedro Bial tratou os participantes do BBB. Ele prometeu um “zoológico humano divertido” . Não sei se será divertido, mas parece bem variado na sua mistura de clichês e figuras típicas.

Pergunto-me, por exemplo, como um jornalista, documentarista e escritor como Pedro Bial que, faça-se justiça, cobriu a Queda do Muro de Berlim, se submete a ser apresentador de um programa desse nível. Em um e-mail que recebi há pouco tempo, Bial escreve maravilhosamente bem sobre a perda do humorista Bussunda referindo-se à pena de se morrer tão cedo.

Eu gostaria de perguntar, se ele não pensa que esse programa é a morte da cultura, de valores e princípios, da moral, da ética e da dignidade.

Outro dia, durante o intervalo de uma programação da Globo, um outro repórter acéfalo do BBB disse que, para ganhar o prêmio de um milhão e meio de reais, um Big Brother tem um caminho árduo pela frente, chamando-os de heróis. Caminho árduo? Heróis?

São esses nossos exemplos de heróis?

Caminho árduo para mim é aquele percorrido por milhões de brasileiros: profissionais da saúde, professores da rede pública (aliás, todos os professores), carteiros, lixeiros e tantos outros trabalhadores incansáveis que, diariamente, passam horas exercendo suas funções com dedicação, competência e amor, quase sempre mal remunerados..

Heróis, são milhares de brasileiros que sequer têm um prato de comida por dia e um colchão decente para dormir e conseguem sobreviver a isso, todo santo dia.

Heróis, são crianças e adultos que lutam contra doenças complicadíssimas porque não tiveram chance de ter uma vida mais saudável e digna.

Heróis, são aqueles que, apesar de ganharem um salário mínimo, pagam suas contas, restando apenas dezesseis reais para alimentação, como mostrado em outra reportagem apresentada, meses atrás pela própria Rede Globo.

O Big Brother Brasil não é um programa cultural, nem educativo, não acrescenta informações e conhecimentos intelectuais aos telespectadores, nem aos participantes, e não há qualquer outro estímulo como, por exemplo, o incentivo ao esporte, à música, à criatividade ou ao ensino de conceitos como valor, ética, trabalho e moral.

E ai vem algum psicólogo de vanguarda e me diz que o BBB ajuda a "entender o comportamento humano". Ah, tenha dó!!!

Veja o que está por de tra$$$$$$$$$$$$$$$$ do BBB: José Neumani da Rádio Jovem Pan, fez um cálculo de que se vinte e nove milhões de pessoas ligarem a cada paredão, com o custo da ligação a trinta centavos, a Rede Globo e a Telefônica arrecadam oito milhões e setecentos mil reais. Eu vou repetir: oito milhões e setecentos mil reais a cada paredão.

Já imaginaram quanto poderia ser feito com essa quantia se fosse dedicada a programas de inclusão social: moradia, alimentação, ensino e saúde de muitos brasileiros?

(Poderiam ser feitas mais de 520 casas populares; ou comprar mais de 5.000 computadores!)

Essas palavras não são de revolta ou protesto, mas de vergonha e indignação, por ver tamanha aberração ter milhões de telespectadores.

Em vez de assistir ao BBB, que tal ler um livro, um poema de Mário Quintana ou de Neruda ou qualquer outra coisa..., ler a Bíblia, orar, meditar, passear com os filhos, ir ao cinema..., estudar... , ouvir boa música..., cuidar das flores e jardins... , telefonar para um amigo... , visitar os avós... , pescar..., brincar com as crianças... , namorar... ou simplesmente dormir.

Assistir ao BBB é ajudar a Globo a ganhar rios de dinheiro e destruir o que ainda resta dos valores sobre os quais foi construída nossa sociedade.

Um abismo chama outro abismo.

quinta-feira, janeiro 27, 2011

Fanatismo - Florbela Espanca



Minh’alma, de sonhar-te, anda perdida
Meus olhos andam cegos de te ver !
Não és sequer a razão do meu viver,
Pois que tu és já toda a minha vida !


Não vejo nada assim enlouquecida ...
Passo no mundo, meu Amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida !


"Tudo no mundo é frágil, tudo passa ..."
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim !


E, olhos postos em ti, digo de rastros :
"Ah ! Podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus : Princípio e Fim ! ..."


Livro de Soror Saudade (1923)




Florbela Espanca nasceu no Alentejo, em Vila Viçosa, a 8 de Dezembro de 1894.

Filha ilegítima de uma "criada de servir" falecida muito nova, alegadamente de "nevrose", foi registada como filha de pai incógnito, marca social ignominiosa que haveria de a marcar profundamente, apesar de curiosamente ter sido educada pelo pai e pela madrasta, Mariana Espanca, em Vila Viçosa, tal como seu irmão de sangue, Apeles Espanca, nascido em 1897 e registado da mesma maneira. Note-se ainda que o pai, que sempre a acompanhou, só 19 anos após a morte da poetisa a perfilhou, por altura da inauguração do seu busto em Évora, debaixo de cerrada insistência de um grupo de florbelianos.

Estudou em Évora, onde concluiu o curso dos liceus em 1917. Mais tarde vai estudar para Lisboa, frequentando a Faculdade de Direito. Colaborou no Notícias de Évora e, embora esporádicamente, na Seara Nova. Foi, com Irene Lisboa, percursora do movimento de emancipação da mulher.

Os seus três casamentos falhados, assim como as desilusões amorosas em geral e a morte do irmão, Apeles Espanca (a quem a ligavam fortes laços afectivos), num acidente com o avião que tripulava sobre o rio Tejo, em 1927, marcaram profundamente a sua vida e obra.

Em Dezembro de 1930, agravados os problemas de saúde, sobretudo de ordem psicológica, Florbela morreu em Matosinhos. O seu suicídio foi socialmente manipulado e, oficialmente, apresentada como causa da morte, um «edema pulmonar».

Com a sua personalidade de uma riqueza interior excepcional, escreveu os seus versos com uma perturbação ardente, revelando um erotismo feminino transcendido, pondo a nu a intimidade da mulher, dando novos rumos à consciência literária nascida de vivências femininas.

A sua Poesia é de uma imensa intensidade lírica e profundo erotismo. Cultivou exacerbadamente a paixão, com voz marcadamente feminina sem que alguns críticos não deixem de lhe encontrar, por isso mesmo, um "dom-joanismo no feminino".

O sofrimento, a solidão, o desencanto, aliados a imensa ternura e a um desejo de
felicidade e plenitude que só poderão ser alcançados no absoluto, no infinito, constituem a temática veiculada pela veemência passional da sua linguagem. Transbordando a convulsão interior da poetisa pela natureza, a paisagem da charneca alentejana está presente em muitas das suas imagens e poemas.

Florbela Espanca não se liga claramente a qualquer movimento literário. Próxima do
neo-romantismo de fim-de-século, pelo carácter confessional e sentimentalista da sua obra, segue a poética de António Nobre, facto reconhecido pela poetisa. Por outro lado, a técnica do soneto, que a celebrizou, pode considerar-se influência de Antero de Quental e de Camões.

Só depois da sua morte é que a poeta viria a ser conhecida do grande público, tendo contribuído para isso, inicialmente, a publicação de Charneca em Flor (1930) pelo professor italiano Guido Batelli.

Na Enciclopédia Larousse, esta poetisa é definida como «parnasiana, de intenso acento erótico feminino, sem precedentes na Literatura Portuguesa. A sua obra lírica, iniciada em 1919, com o Livro das Mágoas, antecipa em seu meio a emancipação literária da mulher».

No entanto, Florbela Espanca teve um “frio acolhimento” durante toda a sua conturbada vida. As críticas contemporâneas sobre a sua poesia podem facilmente colocar-se em extremos opostos, desde: versos imprimidos de “toda a ternura, todo o sentimento de uma alma de mulher”, “verdadeiro mimo”, ou, por outro lado, “escrava de harém”, “lábios literariamente manchados”, “um livro mau, um livro desmoralizador”.
Vacilando entre a moral e o preconceito, a beleza própria da poesia de Florbela recebeu pouco mais do que incompreensão, em vida e manipulação em morte, durante cerca de 40 anos. Atente-se que até no plano político Florbela foi declarada inimiga do Estado Novo.

A ficção manipulada por Battelli na onda de sensacionalismo gerada no ano seguinte ao seu suicídio, só em 1979 conhecerá melhor esclarecimento, quando Augustina Bessa-Luís escreve Florbela Espanca, a vida e a obra recorrendo diractamente ao estudo do espólio. ("Florbela Espanca",. Lisboa: Arcádia, 1979; 3ª ed., Guimarães, 1998)

Parece incrível como a intimidade pode ser ficcionalizada e sustentada até que José Régio, Jorge de Sena e Vitorino Nemésio se dedicaram à imagem política e poética, quase como uma frente de libertação, para trazer a verdadeira Florbela e a poeta que deve ser lida pelo que deixou em texto, sem vínculos com sua vida particular.

Com ou sem escândalo, ou fascinação pelo escândalo; com ou sem histórias de atribulações novelescamente ligadas a uma sucessão de três casamentos infelizes, a perdas familiares dolorosas e à incompreensão constante na sua vida, o que fica é a voz poética da "alma gémea" de Fernando Pessoa, autêntica, feminina e pungente:

Eu quero amar,
amar perdidamente!
Amar só por amar: Aqui... além...
Mais Este e Aquele,
o Outro e toda a gente...
Amar! Amar!
E não amar ninguém!

Mesmo se, por vezes, marcada por algum convencionalismo, a sua poesia tem suscitado interesse contínuo de leitores e investigadores. É considerada como a grande figura feminina das primeiras décadas da literatura portuguesa do século XX.

Chico Xavier

1ª - 'Para obter algo que você nunca teve, precisa fazer algo que nunca fez'.

2ª - 'Quando Deus tira algo de você, Ele não o está punindo, mas apenas abrindo suas mãos para receber algo melhor'.

3ª - 'A Vontade de Deus nunca irá levá-lo aonde a Graça de Deus não possa protegê-lo'.

segunda-feira, janeiro 24, 2011

Os mistérios do mercado do namoro

Garotas de 14 a 17 anos precisam, muitas vezes, decidir se terão relações sexuais como condição para manter um namorado. Economistas americanos tentaram medir os resultados dessa negociação
Como a “oferta” de garotos numa escola poderia alterar o comportamento de uma garota? Um trio de economistas americanos se debruçou sobre essa e várias outras questões que orientam os namoros na escola, e chegou a algumas conclusões inesperadas. Por exemplo, os meninos de origem hispânica (latino-americanos, na maioria) manifestaram mais vontade de ter sexo no namoro do que os garotos em geral (63% contra 59%). Mas as garotas de origem hispânica manifestaram menos vontade de ter sexo no relacionamento do que as meninas em geral (35% contra 36%). Como pelo menos um em cada cinco casais pesquisados era de adolescentes da mesma origem (ambos brancos, negros ou hispânicos), conclui-se que há maior “discordância” de vontades nos casaizinhos de latinos. Eles querem avançar o sinal, mais ainda do que a média dos garotos; elas dizem querer esperar, mais ainda do que a média das garotas. Quem vence essa negociação?

Os cálculos fazem parte do estudo “Condições de carinho: um modelo de equilíbrio entre sexo e concordância” (tradução livre do inglês, Terms of endearment: an equilibrum model of sex and matching”), dos economistas Andrew Beauchamp, da Universidade de Boston, Peter Arcidiacono e Marjorie McElroy, da Universidade Duke. Eles usaram a dinâmica do namoro na escola para estudar como alterações na oferta e na demanda muda o comportamento dos participantes de um mercado – só que, nesse caso, em vez de comprar ou não uma mercadoria, o participante decide namorar ou não. Foram avaliadas as respostas de quase 8 mil estudantes do 9o ao 12o ano (correspondentes ao nosso 9o ano fundamental ao 3o ano médio), ou seja, por volta dos 14 aos 17 anos.

Eles dividiram os adolescentes de acordo com três indicadores – gênero, ano escolar e raça – e dissecaram os relacionamentos de acordo com três variáveis: o tipo de parceiro (mais velho, mais novo, da mesma raça, de outra raça etc.), os termos da relação (com ou sem sexo) e as chances de a “venda” ser bem-sucedida (a aproximação resultar em namoro). Para que o estudo fosse em frente, os pesquisadores precisaram definir mais parâmetros. Assim, “ficadas” não contaram como namoro. Uma proximidade entre adolescentes só contava como “relacionamento” ou namoro na estatística quando atendia a três requisitos: aparecer em público de mãos dadas, beijar e dizer “eu amo você”. Os pesquisadores também descobriram que os rapazes mentiam muito mais que as moças e passaram a dar mais peso às declarações delas para medir, por exemplo, quanto de sexo havia entre estudantes da mesma escola.

Confira outras conclusões do estudo, sempre lembrando que se trata de um retrato parcial da sociedade dos Estados Unidos:

- no exemplo dos casaizinhos latinos lá do começo do texto, as garotas (que manifestaram menor desejo por sexo do que as moças em geral) parecem conseguir conter os garotos afoitos (que manifestaram maior desejo por sexo no namoro do que os rapazes em geral). Entre os adolescentes que namoram, a parcela de garotas latinas que afirma ter sexo no namoro é bem próxima das que realmente querem sexo no namoro (42% contra 41%);

- nos casais de outras raças, há maior incidência de sexo indesejado. Entre as brancas, 52% estão em relacionamentos com sexo, mas só 40% manifestam essa vontade. Entre as negras, 60% têm sexo no namoro, mas apenas 47% declaram essa vontade;

- mais de 84% dos casais encontrados era de adolescentes da mesma raça. Mas as meninas de todas as raças mostraram maior aceitação de garotos negros do que os meninos em geral aceitariam namorar garotas negras;

- os meninos de todas as raças mostraram maior aceitação por garotas da categoria “outras raças” (que os pesquisadores definem como predominantemente de origem asiática) do que as meninas em geral mostraram por garotos de “outras raças”;

- os garotos hispânicos e negros tendem a colocar sexo como condição para namorar garotas de outras raças que não a sua própria;

- garotos e garotas negros namoram mais do que os de outras raças;

- a fim de namorar meninos brancos, as garotas negras e de “outras raças” (predominantemente asiáticas) tendem a fazer mais concessões, o que pode significar sexo indesejado.


Partido do Kremlin convoca votação popular na internet para enterrar Lênin

O partido do Kremlin, Rússia Unida, convocou uma votação popular pela internet para decidir sobre a retirada da múmia de Lênin da Praça Vermelha de Moscou e o possível sepultamento definitivo do corpo embalsamado do fundador da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) em um cemitério. "Todo mundo sabe que o próprio Lênin não queria nenhum mausoléu. Mas os comunistas desprezaram os desejos do próprio líder e de seus familiares", disse Vladimir Medinski, historiador e deputado do partido governista Rússia Unida (RU).

No site "www.goodbyelenin.ru" os interessados podem responder a pergunta: "Você apoia a ideia de enterrar o corpo de Lênin?"

Até a manhã desta segunda-feira (24), mais de 260 mil pessoas já participaram da votação: 70% votaram a favor da ideia de enterrar Lênin, e 30% foram contra.

A página foi colocada no ar após o 87º aniversário de morte de Vladimir Ilich Ulianov "Lênin" (21 de janeiro de 1924), líder da revolução bolchevique e fundador da União Soviética, cuja desintegração (1991) completa 20 anos em dezembro
"Sua presença como figura central em um mausoléu no coração da Rússia é um absurdo. Poucos são os que entendem que há uma múmia no centro do país", disse o deputado Medinski. Para o autor da iniciativa, os comunistas "precisavam criar um culto que suplantasse a religião e tentaram transformar Lênin em um substituto de Jesus. Mas a coisa não funcionou bem assim".

"É preciso acabar com esta aberração", afirmou Medinski, quem lembrou que a viúva de Lênin, Nadezhda Krupskaya, se opunha à exposição da múmia e sustentava que ele desejava descansar junto de sua mãe e do irmão no cemitério Volkovskoye, de São Petersburgo.

A iniciativa da RU recebeu o imediato apoio da oposição liberal e dos ativistas de direitos humanos, que sempre defenderam retirar a simbologia soviética da vida dos russos.

"A Rússia precisa de uma política de ruptura com o passado soviético. E é preciso começar por enterrar Lênin. Por que não transformamos o mausoléu em um museu sobre as vítimas do Gulag (sistema penal institucional da antiga União Soviética, composto por uma rede de campos de concentração) e dos bolcheviques?", sugeriu Sergey Mitrokhin, líder do partido Yabloko.

O último presidente soviético, Mikhail Gorbachev, mostrou-se convencido de que cedo ou tarde o corpo de Lênin receberá uma sepultura, mas advertiu que "por enquanto não se deve tomar nenhum tipo de medida concreta e muito menos pela força". "A própria sociedade o acabará entendendo."

O líder do Partido Comunista, Gennady Zyuganov, classificou as palavras de Medinski de "franca provocação" e disse que a RU "unicamente sabe derrubar monumentos, mudar os nomes das ruas e revolver túmulos". O grupo radical Frente Esquerdista enviou uma carta à Promotoria para que seja aberto um processo penal contra o deputado governista por "semear a discórdia na sociedade e incitar o ódio" em direção aos comunistas.

"Terroristas, tirem as mãos do mausoléu de Lênin", dizia um cartaz dias atrás na Praça Vermelha em posse de um grupo de veteranos nostálgico do antigo regime totalitário. Entre eles, estava Gueorgui Nazarenko, de 93 anos, comunista desde o berço, que nasceu no ano da revolução bolchevique (1917). "Os que querem enterrar Lênin são idiotas. Não têm direito de tocá-lo. Se o fizerem, explodirá uma guerra", declarou à Agência Efe enquanto caminhava pela praça.

O primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, garantiu que Lênin ficará no mausoléu aos pés do Kremlin até que uma maioria de russos manifeste publicamente posição contrária, para evitar uma "cisma" na sociedade.

O chefe do Conselho de Direitos Humanos adjunto ao Kremlin, Mikhail Fedotov, propôs uma alternativa para contentar os dois lados: transformar o mausoléu em museu. "O mausoléu e Lênin são partes de nossa história, por mais trágica que isso possa ser. As pessoas poderiam visitar o mausoléu sabendo que é um museu e não um jazigo (...), como o túmulo de Napoleão no Palácio dos Inválidos de Paris", disse.

Sem contar as ausências em alguns períodos específicos, a múmia de Lênin permanece desde 1º de agosto de 1924 no mausoléu, com exceção dos 1.360 dias da Segunda Guerra Mundial, quando foi levado para Sibéria

Dubai inaugura o restaurante mais alto do mundo

O restaurante At.mosphere foi inaugurado neste domingo (23) em Dubai, nos Emirados Árabes. No 122º andar do prédio mais alto do mundo, o Burj Khalifa, o estabelecimento abre as portas como o restaurante mais alto do planeta, a 442 metros de altura.

O At.mosphere tem espaço para rececber 210 convidados e uma decoração requintada, com paredes e tetos de mogno e tapete adornado a mão.

Para chegar ao restaurante, os visitantes utilizam o elevador expresso do Burj Khalifa, que se locomove a uma velocidade de 10 metros por segundo. Ou seja, a viagem ao At.mosphere demora menos de um minuto.

As reservas para quem quiser - e puder - aproveitar essa experiência de alta gastronomia, literalmente, devem ser feitas por telefone 971-48883828 ou email (reservations@atmosphereburjkhalifa.com)

domingo, janeiro 23, 2011

Enrique Iglesias - No Me Digas Que No ft. Wisin, Yandel




Ay ay ay no me lastime mas el corazon
Que no tengo siete vidas como un gato
Ni mala intencion
Yo no soy como un juguete de tu diversion
No me trates como un nino que perdido va sin direccion

No me digas que no
No me digas que no
Yo me quedo contigo aunque sea prohibido
No digas que no
No me digas adios
No me digas adios
Que tus labios no mienten yo se lo que sientes
No digas que no

No me digas que no quieres arreglar la situación
Vencer en ti ese fuego y esa pasion
Que antes sentias cuando me mirabas
Que antes sentias cuando me tocabas
Si te vas
No se que haré
Eres la razon por la cual seguiré
Aqui
Esperando por ti
Hasta que tomes tu decision y vengas a mi

No me digas que no
No me digas que no
Yo me quedo contigo aunque sea prohibido
No digas que no
No me digas adios
No me digas adios
Que tus labios no mienten yo se lo que sientes
No digas que no

Sigue ese ruido (hey hey)
Acercate y vente conmigo
Si lo consigo (hey)
Puedo ser tu novio
Tu amante
O tu amigo
Ella me mira yo la miro
(hey)
Suspiros
(hey)
Sentidos
Revolcamos en la cama
Y se me aceleran los latidos

Mirame no me digas que no
Que la noche acaba de empezar
Nos espera nuestra abitacion
(ehh..tu mirada me dice que quieres)

No me digas que no
No me digas que no
Yo me quedo contigo aunque sea prohibido
No digas que no
No me digas adios
No me digas adios
Que tus labios no mienten yo se lo que sientes
No digas que no [2x]

sexta-feira, janeiro 14, 2011

Você vai lembrar de mim

Aquele único fim de semana que passamos juntos, eu não era eu. Eu me escondia. Não podia te olhar de verdade nos olhos, porque eu tive medo de ser descoberta. Fiquei em silêncio, só te ouvindo. Te olhando. Te guardando na memória. Dentro de mim, eu sabia que ia ser o último.

Não sei se é tolo aprender a amar alguém pela internet e quando há o encontro de fato, sentir como se não fosse a primeira vez. Eu já sabia seu cheiro. Já sentia seu gosto sem te conhecer.

Não fui a amante que você esperava. Não fizemos loucuras. Mas houve um beijo que ambos lembraremos para sempre. O sofá. A chuva. Lábios adultos se beijando como adolescentes.

Eu realmente aprendi a amar um louco. Louco pela vida. Um louco extremamente inteligente que amava o meu cérebro. Eu tive você dentro de mim por semanas. Eu sempre soube das outras. Mas aceitei. Trouxa ou não, eu só quis viver aquela loucura.

Alguém escreveu essa música. A dou a você.

Quando eu te vejo
Espero teu beijo
Não sinto vergonha
Apenas desejo
Minha boca encosta
Em tua boca que treme
Meus olhos eu fecho
Mas os teus estão abertos
Tudo bem se não deu certo
Eu achei que nós chegamos tão perto
Mas agora com certeza eu enxergo
Que no fim eu amei por nós dois
Esse foi um beijo de despedida
Que se dá uma vez só na vida
Explica tudo, sem brigas
E clareia o mais escuro dos dias
Mas você lembra!
Você vai lembrar de mim
Lembra é o nosso final feliz
Você vai lembrar...
Vai lembrar...sim...
Você vai lembrar de mim.

Traição na própria cama é imperdoável?

É um amontoado de molas – hoje ensacadas e com tecnologia XYZ – cobertas com tecido de bambu antiestresse. Algumas têm até uma tal de espuma da Nasa. Enfim, romantismo zero. Mas é o santuário sagrado do matrimônio: a cama do casal. Se a aliança é o símbolo do casamento para a sociedade, a cama é o elemento que, na vida íntima, representa a união. Logo, é um negócio para ser levado a sério, como mostra uma pesquisa informal relatada pelo jornal americano “The New York Times”. Mais de 50% entre as 500 pessoas que responderam a enquete disseram que o casamento não sobreviveria se flagrassem o parceiro – ou soubessem – que ele usou a própria cama em uma traição. A tolerância é bem maior quando não envolve o punhadinho de molas que nos cabe. Menos de 30% dos pesquisados disseram que o casamento não sobreviveria se a traição fosse fora de casa. Quando foi que a cama virou questão de vida ou morte em um casamento?

Na reportagem do “The New York Times”, os 18 especialistas consultados, entre terapeutas e advogados, dizem que uma traição na própria cama é algo de que não se esquece. No divórcio, a dita cuja vira alvo de disputa: que fim levará? É algo a ser exorcizado. Em um dos casos relatados, a mulher traída fez questão de que o ex e a nova companheira ficassem com a cama. Mas eles tiveram uma surpresa quando foram usar. A ex-mulher fez a gentileza de personalizar o móvel. Entalhou “slut” (vagabunda, no bom e velho português) na cabeceira.

Para mim, a atitude de ambos lados é um mistério. Primeiro, de onde surgiu essa história de que um casal deve compartilhar – ou disputar – centímetros de colchão? Tudo bem que o casamento é comunhão, mas precisa ser tão ao pé da letra assim? Preservar uma certa individualidade é saudável. Então, por que não no momento de descanso? Quer algo mais pessoal? Tem até pesquisador que fala que dormir junto não faz bem à saúde.

Quanto ao cidadão que usa a própria cama para trair, vai entender. Se todo mundo sabe o que representa a “cama do casal” por que apelar? Seria vontade de ser descoberto? Desprezo pelo companheiro? Economia, para poupar o dinheiro do hotel ou do motel? (nesse caso, o parceiro traído deveria desculpar, afinal, o traidor está zelando pelo patrimônio do casal?)

E vocês? Concordam com o significado da cama em um casamento? Perdoariam uma traição com esses requintes de crueldade?

João 3:16

Sem conseguir vender mais nenhuma bala, ele sentou na escada em frente a uma loja e ficou observando o movimento das pessoas. Sem que ele percebesse, um policial se aproximou.
-"Está perdido, filho?"
O garoto balançou a cabeça.
-"Só estou pensando onde vou passar a noite hoje... normalmente durmo
em minha caixa
de papelão, perto do correio, mas hoje o frio está terrível...
-O senhor sabe me dizer se há algum lugar onde eu possa passar esta noite?"
O policial mirou-o por uns instantes e coçou a cabeça, pensativo.
-"Se você descer por esta rua", disse ele apontando o polegar na direção de uma rua, à esquerda,
lá embaixo vai encontrar um casarão branco; chegando lá, bata na porta e quando atenderem apenas diga: "João 3:16 ".
Assim fez o garoto. Desceu a rua estreita e quando chegou em frente ao casarão branco, subiu os degraus da escada e bateu na porta.
Quem atendeu foi uma mulher idosa, de feição bondosa.
-"João 3:16", disse ele, sem entender direito.
- "Entre, meu filho".A voz era meiga e agradável.
Assim que ele entrou, foi conduzido por ela até
a cozinha onde havia uma cadeira de balanço antiga,bem ao lado de um velho fogão de lenha
-"Sente-se, filho, e espere um instante, tá?"
O garoto se sentou e, enquanto observava a bondosa mulher se afastar, pensou consigo mesmo: "João 3:16... Eu não entendo o que isso significa mas sei que aquece a um garoto com frio".
Pouco tempo depois a mulher voltou.
-"Você está com fome?", perguntou ela.
-"Estou um pouquinho, sim... há dois dias não como nada e meu estômago já começa a roncar.."
A mulher então o levou até a sala de jantar, onde havia uma mesa repleta de comida.
Rapidamente o garoto sentou-se à mesa e começou a comer ; comeu de tudo, até não aguentar mais. Então ele pensou consigo mesmo: "João 3:16... Eu não entendo o que isso significa, mas sei que mata a fome de um garoto faminto".
Depois, a bondosa senhora o levou ao andar superior, onde se encontrava um quartinho com uma
banheira cheia de água quente. O garoto só esperou que a mulher se afastasse e então rapidamente se despiu e tomou um belo banho, como há muito tempo não fazia. Enquanto esfregava a bucha pelo corpo pensou consigo mesmo: "João 3:16... Eu não entendo o que isso significa, mas sei que torna limpo um garoto que há muito tempo estava sujo". Cerca de meia hora depois a bondosa mulher voltou e levou o garoto até um quarto onde havia uma cama de madeira, a antiga, mas grande e confortável. Ela o abraçou, deu-lhe um beijo na testa e, após deitá- lo na cama, desligou a luz e saiu... Ele se virou para o canto e ficou imóvel, observando a garoa que caía do outro lado do vidro da janela. E ali, confortável como nunca, ele pensou consigo mesmo: "João 3:16... Eu não entendo o que isso significa, mas sei que dá repouso a um garoto cansado".
No outro dia, de manhã, a bondosa senhora preparou uma bela e farta mesa e o convidou para o café da manhã. Quando o garoto terminou de comer, ela o levou até a cadeira de balanço, próximo ao fogão de lenha. Depois seguiu até uma prateleira e apanhou um livro grande, de capa escura. Era uma Bíblia. Ela voltou, sentou-se numa outra cadeira, próximo ao garoto e olhou dentro dos olhos dele, de maneira doce e amigável.
-"Você entende João 3:16, filho?"
-"Não, senhora... eu não entendo... A primeira vez que ouvi isso foi ontem à noite... um policial que falou...".
Ela concordou com a cabeça, abriu a Bíblia em João 3:16 e começou a explicar sobre Jesus. E ali, aquecido junto ao velho fogão de lenha, o garoto entregou o coração e a vida a Jesus. E enquanto lágrimas de felicidade deixavam seus olhos e rolavam face à baixo, ele pensou consigo mesmo: "João 3:16... ainda não entendo muito bem o que isso significa, mas agora sei que isso faz um garoto perdido se sentir realmente seguro" .
"Porque Deus amou o mundo de tal maneira, que deu seu único Filho para que todo aquele que nele crê, não pereça, mas tenha a vida eterna." (João 3:16) Deus não mandou Jesus para condenar o mundo, mas sim para salvá-lo. Aquele que crer em Jesus não será condenado, mas terá a vida eterna!
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quinta-feira, janeiro 13, 2011

Término

Aconteceu o que eu previa. Homens não são mesmo confiáveis. O que lhe dizem hoje, amanhã se dá por terra.
Ouví de tudo de um homem que dizia que não queria namorar ninguém, que estava focado em outras coisas na vida. Eu nutria um sentimento por ele, mas era evidente que tudo o que eu dizia, ou que eu fazia provar ser uma pessoa dígna para ele, foi em vão. Ele simplesmente disse que está namorando. Minha reação foi de indignação e orgulho ferido. Não sirvo pra ele, mas uma pessoa que ele conhece a pouco já significa muito. Isso me deixou completamente frustrada e sem saber o que fazer. Chorei. Tem sempre alguém melhor que eu.
Contudo tive a reação de dizer-lhe para esquecer que me conheceu e apagar qualquer tipo de contato meu. O que eu recebi foi um sms dizendo que eu não agrego nenhum tipo de valor à vida dele e que é bom eu não voltar atrás na minha decisão porque ele não vai me responder.
Me conheço. Senti vontade de responder, entretanto eu disse a mim mesma que esse ano eu faria tudo diferente. E não respondi. Não responderei. Esquecerei.

terça-feira, janeiro 11, 2011

Namoro sob medida

Houve um tempo em que as pessoas se conheciam em clubes, casas noturnas, na escola ou no trabalho e até mesmo na padaria da esquina. E desses encontros fortuitos nasciam os namoros. Há alguns anos, porém, uma nova modalidade de encontro surgiu: os casais passaram a se formar também na internet.

Primeiro, via comunicadores instantâneos como o ICQ e o Messenger. Depois, por meio de sites de relacionamento como o Orkut. Então, surgiram sites de namoro como o Par Perfeito. Ficou mais fácil encontrar a cara-metade. Bastava preencher um cadastro pessoal e informar preferências, como cor dos olhos ou peso ideal. E, assim, as chances de errar eram menores. Um alento para quem se aventura pela selva virtual das emoções.


Um site para formar casais fãs da Apple
Eis que não bastou. E novos sites de namoro surgiram, como mostrou uma reportagem publicada no The New York Times. Eles têm o objetivo de colocar em contato pessoas que compartilham dos mesmos interesses. Funcionam como uma espécie de filtro.

Um deles, o Alikewise, reúne gente que gosta dos mesmos livros. Após fazer a inscrição, que é gratuita, os usuários informam quais são seus livros preferidos e recebem alertas sempre que eles forem mencionados por outras pessoas. É um bom jeito de começar a conversa.

Outro site curioso é o Cupidtino. Ele é voltado aos entusiastas do Mac, que, aparentemente, não namoram os fãs do PC. “Os amantes da Apple geralmente têm profissões criativas, um senso de estilo similar e apetite por tecnologia. Acreditamos que essas sejam razões básicas para aproximar duas pessoas e fazer com que elas se apaixonem”. É o que eles dizem.

Na categoria dos intrigantes, está o WeWaited. Ou Nós Esperamos. O propósito do site é reunir virgens, exclusivamente, e, quem sabe, ajudá-los a perder a virgindade com outros iniciantes. Eu me pergunto como é possível garantir que os usuários do site são mesmo intocados. Os fundadores do site dizem que é feita uma verificação de antecedentes. Como eu disse no início do parágrafo… intrigante.


Gosta de homens com bigode? O Stache Passions é para você
Entre os bizarros, destaco o DateMyPet, algo como Namore o meu bichinho de estimação. O mais importante, ao que parece, não é você ou as suas características e gostos. O que conta mesmo é o grau de fofura do seu cachorrinho. Ou do seu gato, peixe, iguana ou passarinho.

Outros sites são mais objetivos e se fixam em um único interesse de seus membros. Colocam em contato somente gente bonita, classificada como tal pelos próprios usuários do site (leia a reportagem publicada por ÉPOCA sobre o site BeatifulPeople), pessoas que gostam de fumar maconha, vegetarianos, idosos e pessoas que têm fetiche por bigodes, acreditem.

No Brasil, a profusão de sites de relacionamento mais específicos é menor. Encontrei o Solteiros com filhos, cujo nome basta para explicar seu propósito, e o Amor em Cristo, voltado a evangélicos que estão em busca de um amor mais terreno.

E você, se cadastraria em algum desses?

Minha vida amorosa em suas mãos - my love life in your hands

O título acima não é meu. É de um colunista anônimo do jornal britânico The Guardian. Cansado de tomar as decisões erradas, ele decidiu colocar seu destino na mão dos leitores. Toda semana, ele perguntará a eles o que fazer. E promete seguir o conselho mais votado, além de contar o desfecho da história.

Lendo o artigo, recheado de percalços amorosos, a impressão que tenho é de que o cara é legal. Um pouco atrapalhado, talvez. Mas certamente bem intencionado. Acho que o problema está nas garotas que ele escolhe.

Vejamos o caso do buquê de flores. Certa vez, ele invadiu o apartamento de uma ex-namorada com um maço de flores. Não encontrou um vaso onde colocá-las, então deixou as florzinhas na pia do banheiro. Ele achou que era uma ideia até que romântica. A menina, por sua vez, achou que ele era um psicopata. Tudo bem que não foi a solução mais genial do mundo. Mas que menina mais chata, essa. Eu, em seu lugar, encararia a situação com bom humor.

Três meses atrás, ele teve outra ideia “romântica”. Seguiu até o aeroporto uma garota canadense. Não tinha acontecido nada especial entre eles, como um romance. Pelo que entendi, o que ele quis foi tão somente ter uma atitude bonitinha. Programou-se para chegar cedo, mas, ainda assim, não a viu. Ligou avisando que estava na área do check-in. Ela não deu a menor bola. Partiu sem se despedir e nunca respondeu os e-mails que o rapaz enviou.

Ok. Nesse caso, acho que ele foi com muita sede ao pote. Talvez eu também me assustasse, se estivesse no lugar da canadense. Mas eu seria legal. Eu daria um “oi”, pelo menos. Ou um “tchau”, como exigia a situação. Aeroportos, afinal, são lugares seguros.

Hoje, o colunista sofre com um problema comum. Ouviu da namorada a maldita frase “Acho que as coisas estão meio estranhas entre a gente. Você tem sido mais amigo do que namorado”. Arrepios. Parece realmente que ela está fazendo rodeio antes de terminar. E a pergunta dele aos leitores é: faço uma surpresa romântica para reconquistá-la ou desisto e começo uma nova relação com outra pessoa?

Eu já dei o meu voto. E digo que os pragmáticos estão com larga vantagem sobre os românticos.

Gente bonita?

“Gente bonita”? Você já parou para pensar o que isso significa de verdade?

Sejamos francos. A expressão não tem nada a ver com a harmonia dos traços, a cor dos olhos ou a medida dos quadris. É claro – e muito triste – que existem lugares onde os porteiros são encarregados de “selecionar” as pessoas segundo a sua aparência. Mas é ainda pior do que isso: em 90% dos casos não se trata de estética e sim de poder aquisitivo.

No glossário velado da desigualdade social, a expressão “gente bonita”, amplamente utilizada na imprensa e na rua (confesso, eu também já caí nessa), serve para definir “membros da elite”. Nesse acordo tácito, “gente bonita” é sinônimo de “público selecionado” e antônimo de “público misturado”. Ou seja, por trás de palavrinhas que muita gente fala, ouve e lê sem pensar, há uma pesada carga de preconceito e deformação social.

No beach club em questão (é, no Brasil se chama beach club), a entrada na festa de Réveillon, para um casal, custava bem mais do que meio salário mínimo: eis o método de “selecionar”, por meio da exclusão, a tal da “gente bonita”. Quem sabe um outro “empreendimento audacioso” não resolve um dia, através de um flyer, prometer abrir suas portas a “gente com grana”, com todas as letras?

Não vai ficar bonito. Mas será bem mais honesto.

Paulo Coelho é censurado no Irã e pede ajuda ao Itamaraty



O escritor já vendeu cerca de seis milhões de livros na República Islâmica. Agora, quer disponibilizar as obras na internet, para os leitores fazerem download
O escritor Paulo Coelho foi informado por seu editor no Irã, Arash Hejazi, que a publicação de seus livros foi proibida no país persa pelo Ministério da Cultura e das Diretrizes Islâmicas, de acordo com informações publicadas no blog do autor. Paulo Coelho disse contar com o governo brasileiro para resolver o caso, o que considerou como "um mal-entendido".

"Espero que o Itamaraty e a ministra da Cultura, Ana de Hollanda, não se omitam em relação a essa medida arbitrária pois, caso contrário, estarão assinando embaixo", disse o escritor. "Não sei se a decisão passou pela cúpula do governo iraniano, ou seja, se foi apenas uma medida do Ministério da Cultura." A ministra Ana de Hollanda lamentou a decisão do Irã e disse que vai conversar com o chanceler brasileiro, Antonio Patriota, para decidir como o Brasil poderá se manifestar contra a censura.

“Vou conversar agora com o ministro Patriota, para entender como o Ministério das Relações Exteriores está vendo isso e provavelmente eles vão se manifestar. Essa manifestação do governo brasileiro cabe ao Ministério das Relações Exteriores. Pela cultura, só posso dizer que a censura é sempre lamentável”, disse a ministra, em visita ao Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro.

Os motivos para a censura não foram explicitados. Coelho conta que jamais, em seus livros, fez alguma ofensa ao islamismo. "Minha obra é publicada no Irã desde 1998, já vendeu milhares de exemplares e, em 2000, eu estive naquele país, sendo esperado por aproximadamente cinco mil pessoas no aeroporto", afirmou. Ele suspeita de um fator que pode ter sido a origem da censura. "Em 2009, eu ajudei Hejazi a deixar o Irã logo depois das eleições", disse. "O mais surreal é que até as edições piratas estão vetadas. Não sei como vão controlar isso."

O aviso do editor iraniano chegou por e-mail ao autor. Na mensagem, Hejazi diz que foi "informado pelo Ministério que todos os livros foram proibidos, inclusive as versões não autorizadas publicadas por outras editoras" e que "todos os livros que têm o nome Paulo Coelho não estão mais autorizados a serem publicados no Irã". O escritor estima ter vendido mais de seis milhões de livros na República Islâmica. O editor iraniano sugeriu a disponibilização da obra na internet para download – e o brasileiro aceitou.

Em 2005, o governo iraniano já havia banido o livro O Zahir. Os exemplares da obra de Coelho foram levados por agentes do governo da Feira do Livro de Teerã. Na época, Hejazi disse que "o Ministério da Cultura estava extremamente preocupado com o aumento da popularidade de Paulo Coelho". O Código Da Vinci, de Dan Brown, e Memória de Minhas Putas Tristes, de Gabriel García Márquez, também estão na lista de livros proibidos pelo Ministério da Cultura iraniano.

Paulo Coelho faz sucesso no exterior e tem pelo menos 300 milhões de livros vendidos em mais de 150 países. Ele foi o primeiro escritor não muçulmano a visitar o Irã após a Revolução Islâmica de 1979, de acordo com o site da Academia Brasileira de Letras (ABL), onde ocupa a cadeira 21

segunda-feira, janeiro 10, 2011

Quem me vê



"Quem me vê caminhando na rua, de salto alto e delineador, jura que sou tão feminina quanto as outras: ninguém desconfia do meu hermafroditismo cerebral. (...) Penso como um homem, mas sinto como mulher."

sexta-feira, janeiro 07, 2011

No Arms No Legs (Legendado)

quarta-feira, janeiro 05, 2011

Eu nunca aprendo MESMO.

Os homens não mudam mesmo. Passam-se os anos e eles continuam no mesmo jogo de caça ao rato.
Aconteceu recentemente comigo a mesma situação com dois caras distintos. Ambos insistiram para conseguir meu telefone, ligaram inúmeras vezes e quando, enfim conseguem me encontrar, e depois sairmos para uma conversa, me deixaram em casa e nunca mais deram sinal de vida. O que eu fiz a eles? Não sei mesmo. Talvez eu os tenha assustado de alguma forma.
No início diziam elogios glamourosos de que eu era linda e isso e aquilo. Até que deram aquela atençãozinha de dia seguinte, como se nada tivesse acontecido e consequentemente a tão usada frase para dar fora em uma mulher : VAMOS NOS FALANDO. Ah, toda vez que um homem diz isso é porque ele não está mais interessado. Fato. É aquela tal desculpa para não ficar mal e não perder o contato de vez. Quem sabe num dia desses sem ninguém interessante, ele te liga.
Só que eu não aprendo nunca.

segunda-feira, janeiro 03, 2011

Qual o tamanhdo de LULA?

Eu estava entre aqueles milhões de brasileiros que se emocionaram quando Lula fez o discurso da vitória, na Avenida Paulista, no segundo turno da eleição de 2002. No dia seguinte, lembro de ter acordado com a certeza de que vivia num país diferente. Não acho que tenha me enganado. A força simbólica de um presidente com a origem de Lula só poderá ser dimensionada com precisão daqui a algumas décadas, com o necessário distanciamento histórico. Mas a mudança concreta na forma com que milhões de brasileiros passaram a se enxergar pode ser percebida nas ruas para quem estiver disposto a ver. O país mudou para melhor no governo Lula – e não apenas porque a conjuntura internacional era favorável. Lula deu visibilidade concreta a uma parcela da população que, embora maioria, sempre havia ficado na margem. Ao se reconhecer em Lula, esta ampla fatia do povo brasileiro resgatou autoestima e começou a construir um novo lugar no país. Cerca de 30 milhões de brasileiros ascenderam de classe e entraram no mundo do consumo, criando novas cenas na vida cotidiana da casa e dos espaços públicos. E acho difícil alguém, de qualquer extrato social, afirmar com sinceridade que sua vida piorou nos últimos anos.

Dito isso com toda a clareza, posso afirmar que, em minha opinião, o Lula que desceu a rampa do Palácio do Planalto no primeiro dia de 2011 é maior, mas também é menor do que aquele que subiu em 1° de janeiro de 2003. Lula é maior fora e dentro do Brasil – basta conferir a cobertura internacional e os 87% de aprovação interna. É maior também na História, depois de dois mandatos. Mas ao longo destes oito anos Lula perdeu algo que antes de 2003 parecia constituí-lo como liderança. E, embora tenha acreditado em demasia no próprio mito – e talvez por isso mesmo –, ficou aquém dele em princípios fundamentais.

Havia em 2003 uma enorme expectativa sobre os ombros de Lula, maior do que seria realista depositar. Ele mesmo dizia que não podia errar. E muito poderia dar errado diante do tamanho não do medo, como tanto se especulou, mas da esperança. O que eu – e acho que a maioria das pessoas – não imaginava é que a falta de ética na vida pública e a corrupção se tornariam questões sérias e assumiriam tal proporção na era Lula. Que os fins justificariam os meios com tanta desenvoltura. E que o fisiologismo, tantas vezes criticado com razão por Lula e pelo PT no passado, se tornariam o pão com manteiga da rotina do poder. Naquele momento, poucos ousariam imaginar que o partido que sempre se colocara como guardião da ética na política e representante de um novo jeito de lidar com o patrimônio público pudesse rastejar pela lama com tanto despudor e em tão má companhia nos anos seguintes.

Ingenuidade minha e dos tantos que ficaram chocados com as denúncias de corrupção e as negociatas que desfilavam no noticiário diário? Talvez. Mas acredito que pode e deve ser diferente. Que a ética – seja na vida pessoal ou na pública – é essencial e não descartável no primeiro aperto. Milhões de brasileiros pobres que resistem ao crime e à contravenção, mantendo-se honestos contra todas as adversidades nas favelas e periferias do país, nos provam isso todos os dias. Tornar a ética um artigo de luxo, que se coloca ou tira do cardápio conforme as necessidades do momento, é zombar desse esforço pessoal e coletivo empreendido diariamente por brasileiros de todas as classes – mas com um custo muito maior pelos mais pobres.

Esta é a parte que me preocupa na aprovação majoritária de Lula no poder. O que ela nos diz? A vida da maioria das pessoas melhorou de verdade – e esta é uma excelente razão para aprovar um governo e um governante. Mas que a falta de ética, o fisiologismo e a corrupção que também ficaram aparentes nesse governo não pesem pelo menos um pouco nessa conta é triste. Porque aí somos aquele tipo de gente que só se importa com o dinheiro no bolso – e nada com os valores que os puseram ali. Seria melhor para nós e para o país que fôssemos melhores que isso.

Como jornalista, cheguei a estudar seriamente a possibilidade de pedir transferência para Brasília em 2003 com o objetivo de cobrir a mudança de costumes na capital federal. Eu esperava testemunhar um outro tipo de elite política provocando transformações na forma de se relacionar não só nas esferas oficiais de poder, mas nos restaurantes, nas casas e nas ruas sem esquinas de Brasília. Ainda bem que tive de abortar o projeto por razões pessoais. Algo mudou, é verdade, mas não no rumo que se esperava.

O comportamento da primeira família também despertava minha curiosidade. Quando cobri a eleição de 2002, vale a pena lembrar, Lulinha (Fábio Luís Lula da Silva) era apenas aquele garoto que acompanhava a mãe nos eventos de campanha. Formado em biologia, o mais significativo que ele havia feito até então era um estágio no zoológico de São Paulo. Lulinha era simpático e falava meia dúzia de palavras a mais que dona Marisa Letícia, que não pronunciava nenhuma. Naquele momento eu não apostaria um real que Lulinha tivesse esse progresso meteórico e pudesse se transformar no empresário rico e bem sucedido, exemplo de sucesso que é hoje. Dona Marisa manteve o mutismo público nos oito anos como primeira-dama, mas apenas isso. De todas as seduções do poder, parecia difícil supor que seriam as cirurgias plásticas e os tratamentos estéticos, as roupas de grife, o cabeleireiro a tiracolo e a companhia chique que a seduziriam mais.

Acho uma pena Lula acreditar tanto no próprio mito, a ponto de às vezes soar como um messias. É saudável para qualquer um em algum momento do dia parar tudo e olhar para si mesmo de um canto, com o necessário distanciamento, para retornar às dimensões humanas. Lembro de meu mal-estar na primeira vez em que estive na Bahia, ao constatar o número de obras públicas com o nome de Antônio Carlos Magalhães. Naquele tempo, “Painho” era vivíssimo. Quem diria que o governo do filho de dona Lindu terminaria com um campo gigante de petróleo batizado com o nome de Lula.

Nesta mesma linha, colocar-se como um pai e como um chefe de família quando está no lugar de presidente soa mal, muito mal. Lula é pai do bem sucedido Lulinha e de seus outros filhos. Assim como cada um de nós tem seu próprio pai. E um já é suficiente. Um presidente republicano, eleito democraticamente, é alçado ao poder pelo voto, por um tempo determinado pela Constituição. É colocado no poder não por filhos, mas por cidadãos adultos e livres. E é julgado por seus atos e pela qualidade de sua administração – e não pelo afeto. É uma relação de igual para igual, entre adultos responsáveis e emancipados.

Essa conversa de pai e filho infantiliza a população – especialmente os mais pobres, que supostamente precisam ser “cuidados”. Como se um governo que inclua seus anseios e necessidades fosse a concessão de um governante bondoso e não um direito básico de cidadão legitimado pelo voto e assegurado pelo processo democrático. Essa conversa de pai e filho também ecoa o que há de pior no Brasil patriarcal – ainda que o pai desta vez seja um “homem do povo”. Acho este discurso uma irresponsabilidade. Ainda bem que não colou quando tentaram transformar Dilma em nossa mãe durante a campanha eleitoral. Era só o que nos faltava nessa altura de uma vida democrática tão duramente conquistada, em parte pela geração da própria Dilma.

Mas a maior fraqueza do governo Lula, além da saúde, foi a educação. Ao contrário do que Lula diz, melhorou muito menos do que deveria. Terminar o segundo mandato com um investimento em torno de 5% do PIB não dá a nenhum presidente a possibilidade de afirmar que a educação foi prioridade em seu governo. Não foi – e não foi por nenhum ângulo que se olhe. É verdade que ocorreram alguns avanços, como a ampliação do acesso ao ensino superior. Mas é pouco, muito pouco, diante da catástrofe educacional do país. A educação tem de ser uma causa como foi – e pelo discurso de Dilma Rousseff na posse continuará sendo – a erradicação da miséria. Causa do governo, causa de todos.

Não me parece que exista essa compreensão. Nem com Lula, nem com Dilma – ainda que no discurso de posse a presidenta tenha sinalizado a educação, a saúde e a segurança como prioridades. Assim como a educação também não foi prioridade no governo de seus antecessores. E isso explica nossa situação atual. Como um país pretende ser grande com metade dos jovens de 15 anos que estão na escola – porque 15% já não estão – com dificuldades para interpretar textos e um problema maior ainda para fazer contas? E com 43% dos empregados no mercado de trabalho sem diploma do ensino médio? Ou com os professores ganhando a miséria que ganham, a maioria deles descomprometidos com seu trabalho e sem serem avaliados por sua atuação em sala de aula?

A educação é uma das principais causas de desigualdade, e o Brasil continua sendo um dos países mais desiguais do mundo. Erradicar a miséria não é apenas garantir que todos os brasileiros possam comer – o que é enorme, mas ainda é pouco. Há uma miséria subjetiva que não se resolve com comida, mas com educação. Como já escrevi numa coluna anterior, logo após o primeiro turno da campanha eleitoral, o desafio que se impõe a todos nós é qualificar o nosso desejo. É pela educação que as pessoas desejam mais (e não apenas produtos de consumo), exigem mais de si mesmas e do país, e são capazes de andar com suas próprias pernas, superando a mera transferência de renda e os programas assistenciais.

Diante da catástrofe educacional vivida pelo Brasil, não dá para fazer apenas o possível. Tem de dar um jeito de fazer o impossível. Já, ontem. E Lula não fez. Mesmo simbolicamente ele não fez. Com o capital simbólico de Lula, teria feito diferença vê-lo alguma vez com um livro na mão. Em vez disso, houve ocasiões em que Lula reforçou a falsa dicotomia entre a experiência prática e a intelectual. Posso compreender seu esforço em valorizar a “escola da vida”, historicamente relegada como algo menor. Mas ele deveria ter a clareza de mostrar que não há oposição entre um e outro, pelo contrário, são conhecimentos que se complementam e dialogam entre si.

Nas ocasiões em que Lula colocou um tipo de conhecimento em oposição ao outro, prestou um grande desserviço ao país. Ao inaugurar o campus de Sorocaba da Universidade Federal de São Carlos, em agosto último, por exemplo, ele referiu-se à importância de um governante conhecer seu país. Para conhecer o país que governaria, afirmou ter preferido percorrê-lo (na Caravana da Cidadania, em 1993) a ler Raízes do Brasil, a obra clássica de Sérgio Buarque de Holanda. “Eu poderia ter lido o livro do Sérgio Buarque de Holanda, Raízes do Brasil, e poderia ter conhecido um pouco o Brasil. Mas eu achava que em vez de a gente apenas ler um livro e dizer que a gente conhecia, era melhor que a gente botasse o pé na estrada para ver a megadiversidade deste país”.

Seria tão melhor se Lula tivesse dito que é importante ler o livro e é importante percorrer as estradas e conversar com o povo. Afirmasse que uma experiência amplia a outra. Que ambas foram e são importantes. Afinal, a educação, o acesso aos livros, a possibilidade de inscrever sua experiência na literatura é o que foi roubado dos mais pobres durante tantos séculos. Uma pessoa deve lamentar que não pôde ler ou estudar e reivindicar maior acesso aos livros e à educação – mas, se orgulhar da falta de leitura, nunca. E nunca mesmo se esta pessoa é presidente de um país em que boa parte da população não entende o que lê.

Espero que Dilma Rousseff tenha a clareza de transformar a educação em prioridade de fato. E Lula possa aproveitar o tempo livre para ler Raízes do Brasil e muitos outros livros. Ninguém perde nada por ler – nem mesmo e principalmente alguém com a estatura e a grandeza de Lula.

Eliane Brum

sábado, janeiro 01, 2011

Justin Bieber feat. Sean Kingston - Eenie Meenie lyrics

Amigurumi e a psicoterapia ajudando na concentração e atenção

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