quarta-feira, novembro 30, 2016

você só descobre que se deu mal quando mensagens e convites param de chegar ao celular

lI ESTA POSTAGEM DO IVAN mARTINS HOJE E NÃO RESISTI. BATEU FEITO FLECHA....

Queira ou não, gente solteira vive em processo seletivo. Não estou falando de emprego e trabalho, mas de afeto. Somos testados e julgados por possíveis parceiros todo o tempo. Estão em jogo nossa aparência, nossa personalidade e – claro – nosso desempenho dentro e fora de casa.
Ao contrário das disputas por emprego, na vida amorosa a gente nem sempre sabe que está numa competição. Você sai com alguém duas ou três vezes, acha que não tem mais ninguém na área, mas tem. Entre vocês dois, tudo vai bem, mas, para seu azar, com outra pessoa vai ainda melhor.
É por isso que a figura desaparece de quinta-feira a sábado, e só volta a chamar no domingo. Estava testando mais gente.
Como o processo seletivo é secreto – ou pelo menos privado –, você só descobre que se deu mal quando mensagens e convites param de chegar ao celular. Ou quando topa com seu quase amor na rua, de mãos dadas com alguém. É dramático, mas acontece. Fazer o quê?
Se acontecer com você, não se deixe abater. Assim como na busca por emprego – e muito mais ainda neste caso –, a culpa da recusa, definitivamente, não é sua. Você não sabe quais são as qualificações necessárias nesse processo. Não tem ideia do que o outro deseja. Nem está claro se a vaga é temporária, fixa ou mera cobertura de férias. Mesmo que queira muito agradar, não saberá como fazer. A situação está fora do seu controle.
Digo essas coisas porque já recusei e fui recusado. Já selecionei e fui selecionado. Sei como é.
Quando a pessoa escolhe outro, nos machuca. Mas a gente sabe, por também já ter preterido um monte de gente, que não houve uma gincana de qualidades. Não se trata de que a Fulana é mais bonita, ou mais desenvolta no sexo, ou mais divertida. É um problema de interação. O que funciona com um não funciona com outro. O que emociona um não emociona o outro. Aquilo que faz um rir, o outro não entende.
A gente tem com algumas pessoas momentos maravilhosos. Com outras a conversa é boa e os gostos se parecem. Há gente cujo jeito nos enternece. Ainda assim, não rola. A magia não acontece. E o processo seletivo continua. Por quê?
Beleza, personalidade e sucesso pessoal entram na balança, mas há coisas impossíveis de mensurar que aproximam ou afastam na mesma proporção. As coisas que nos apaixonam são da ordem do invisível.
Por que você fica mais à vontade com uma pessoa do que com outra?
Por que o sexo com alguém é mais intenso do que com outro alguém?
Por que uma personalidade nos atrai e outra nos deixa indiferente?
Por que uma beleza nos cativa mais que a outra beleza?
Por que os nossos sentimentos crescem na direção de um ser humano e não de outro?
Ninguém sabe responder a essas perguntas, mas todo mundo sabe quando está encantado por alguém. Nessas ocasiões, a atração vai além do sexo e das qualidades sociais. A química corporal se manifesta, mas não só. Há uma conexão subjetiva que se cria num caso e não se cria no outro. Inexplicavelmente.
Eu lembro, faz muito tempo, de estar envolvido com uma mulher que me fazia mal. Nos intervalos da conflagração que era o namoro com ela, eu tentava encontrar outras pessoas, mas falhava. Aparecia gente mais legal, mais atraente e mais sensual do que aquela que me fazia sofrer, mas o laço estava atado com ela. Foi preciso viver a situação para me libertar. Descobri que paixão e atração podiam ser forças negativas.
Há vagas que a gente nunca deveria aceitar – mas isso só se descobre depois. 
É bom ter em mente que o processo não é indolor para ninguém. Quem escolhe um parceiro no processo seletivo parece ter poder, mas está submetido a forças internas que não controla. Quem está sendo testado pode sentir-se humilhado, mas há prazer em sujeitar-se a quem nos emociona.
É arrogância achar que todos têm de nos escolher. É fútil sentir-se ofendido por não ser amado. É tolo acreditar que ao longo da vida ninguém vai nos colocar de joelhos. Faz parte do mundo amoroso a troca de posições de poder: nesta relação eu tenho o controle; naquela, o outro é quem dita o ritmo. Nas duas há música, para quem sabe dançar.
Por isso, eu recomendo paixão e paciência. Não é sensato apressar nossas escolhas. Não é saudável esperar ansiosamente que alguém nos aprove. Enquanto os processos seletivos se desenrolam, vivemos, simplesmente, em uma posição ou em outra. Às vezes, escolhemos. Em outra, seremos escolhidos ou preteridos. A vida segue, e nossa capacidade de amar e ser amado continua intacta. Ou assim deveria ser.

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